sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Manual para 2013



Saúde:
1. Beba muita água
2. Coma mais o que nasce em árvores e plantas, e menos comida produzida em fábricas;
3. Viva com os 3 E's: Energia, Entusiasmo e Empatia;
4. Arranje tempo para orar;
5. Faça atividades que ative seu cérebro ;
6. Leia mais livros do que leu em 2012;
7. Sente-se em silêncio pelo menos 10 minutos por dia;
8. Durma 8 horas por dia;
9. Faça caminhadas de 20-60 minutos por dia, e enquanto caminha sorria.

Personalidade:
11. Não compare a sua vida a dos outros. Ninguém faz ideia de como é a caminhada dos outros;
12. Não tenha pensamentos negativos ou coisas de que não tenha controle;
13. Não se exceda. Mantenha-se nos seus limites;
14. Não se torne demasiadamente sério;
15. Não desperdice a sua energia preciosa em fofocas;
16. Sonhe mais;
17. Inveja é uma perda de tempo. Tem tudo que necessita....
18. Esqueça questões do passado. Não lembre seu parceiro dos seus erros do passado. Isso destruirá a sua felicidade presente;
19. A vida é curta demais para odiar alguém. Não odeie.
20. Faça as pazes com o seu passado para não estragar o seu presente;
21. Ninguém comanda a sua felicidade a não ser você;
22. Tenha consciência que a vida é uma escola e que está nela para aprender. Problemas são apenas parte, que aparecem e se desvanecem como uma aula de álgebra, mas as lições que aprende, perduram uma vida inteira;
23. Sorria e gargalhe mais;
24. Não necessite ganhar todas as discussões. Aceite também a discordância;

Sociedade:
25. Entre mais em contato com sua família;
26. Dê algo de bom aos outros diariamente;
27. Perdoe a todos por tudo;
28. Passe tempo com pessoas acima de 70 anos e abaixo de 6;
29. Tente fazer sorrir para, pelo menos, três pessoas por dia;
30. Não te diz respeito o que os outros pensam de você;
31. O seu trabalho não tomará conta de você quando estiver doente. Os seus amigos o farão. Mantenha contato com eles.

A Vida:
32. Faça o que é correto;
33. Desfaça-se do que não é útil, bonito ou alegre;
34. DEUS cura tudo;
35. Por muito boa ou má que a situação seja.... Ela mudará...
36. Não interessa como se sente, levanta, se arruma e aparece;
37. O melhor ainda está para vir;
38. Quando acordar vivo de manhã, agradeça a DEUS pela graça.
39. Mantenha seu coração sempre feliz.

Por último:
40. Envia para aqueles que você ama e que deseja um 2013 maravilhoso!!!

"A falta de respeito aos direitos humanos reduz a humanidade a uma condição subumana"
(Wole Soyinka)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Hoje, último dia de 2012, fazendo um balanço desse ano, posso dizer que não foi um bom ano, por todo o tratamento doloroso e principalmente a perda da minha irmã Sonia, que ainda dói muito.

Mas por outro lado, aprendi com as dificuldades, amadureci e lancei fora todo o medo. Percebi que as coisas que acontecem de alguma forma te ensina alguma coisa, e estou procurando tirar lições para passar todo esse processo.

Acabou, de certa forma, o medo que eu tinha de morrer e deixar para trás todas as pessoas que eu amo. Com a partida da minha irmã, percebi que isso faz parte da natureza humana. Estou tentando viver cada momento da melhor maneira possível, dando importância a cada minuto vivido, que talvez antes me passavam despercebido: dar atenção somente para coisas boas, e viver! Viver muito até quando Deus permitir.

Eu agradeço muito a Deus pela família maravilhosa que tenho, minhas irmãs, minhas cunhadas Nete, Claudia e Fabi, que eu amo como irmãs e todos os amigos que, no decorrer desse ano, me deram muita força, a D. Marina, que mesmo internada para uma cirurgia, me ligava para ver como eu estava.

Fiquei todo mês de Dezembro me recuperando de uma anemia muito forte, e não fiz a quimio. Mas retorno no próximo dia 04, recomeçando o ciclo e já estou me sentindo muito melhor. 

Faço também um agradecimento especial à equipe de médicos e enfermeiras do Hospital São Camilo - Santana, na qual fiquei internada 5 dias no início desse mês, no setor de Oncologia e fui tratada muito bem, com muito carinho e humanidade, a todos um grande beijo.

Deixo no final dessa mensagem, a foto de uma escultura enviada pela Fabi, que mostra a força interior de cada pessoa, mesmo diante das dificuldades.


Desejo à todos um grande ano de 2013, que todos os planos sejam concretizados, inclusive os meus!

Muito obrigada, e Feliz Ano Novo!

domingo, 18 de novembro de 2012

Vitamina Power Active

Ingredientes:
  • 2 copos de leite integral (500 ml)
  • 1/2 abacate médio maduro (120 g)
  • 1/2 lata de leite condensado (197g)
  • 1/2 vidro de leite coco (100 ml)
  • 3 colheres de sopa de Ensure (sabor de preferência - 36g)

Modo de preparo:

Coloque o leite e o abacate (polpa) no liquidificador. Acrescente o leite condensado, o leite de coco e o Ensure. Bata até ficar homogêneo. Sirva em seguida.

Receita - Creme de ervilha com grão de bico



Ingredientes:
  • 3/4 xícara de chá de grão de bico
  • 1/2 cebola picada
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 1 xícara de chá de ervilha seca
  • 1/2 colher de sopa de salsa picada
  • 1/2 colher de sopa de cebolinha picada
  • 1/2 colher de café de pimenta do reino
  • 2 colheres de chá de sal
  • 2 copos (tipo requeijão) de leite.
Modo de preparo:

Leve 1 litro de água para ferver na panela de pressão. Assim que começar a fervura, desligue o fogo, adicione o grão de bico e deixe-o de molho por 30 minutos. Enquanto isso, refogue a cebola no azeite por 5 minutos. Após 30 minutos, adicione à panela a ervilha, a cebola refogada, a salsa, a cebolinha, a pimenta e o sal. Feche a panela de pressão e deixe cozinhar por 10 minutos. Abra a panela, mexa os ingredientes para não queimar o fundo e vole ao fogo por mais 10 minutos. Espere amornar e despeje a mistura no liquidificador. Bata por 5 minutos e volte o creme ao fogo. Adicione o leite aos poucos e deixe cozinhar por mais 8 munitos.

Rendimento: 6 porções

Dicas e sugestões:

Para incrementar a sopa e aumentar a quantidade de fibras, experimente acrescentar croutons de pão integral. Para isso, corte 2 fatias de pão integral em cubinhos e leve ao forno por 10 minutos. A cremosidade da sopa, aliada à crocância do pão torrado, é uma combinação muito interessante.


Dicas nutricionais

Olá a todos!

Uma das partes mais difíceis durante o tratamento com quimiterapia, é a alimentação. Nessa fase, é muito mais complicado ter uma nutrição adequada, pois os efeitos dos remédios atacam o estômago, diminuem a imunidade, a pessoa fica muito fraca. Por isso, daremos algumas dicas de nutrição, suplementos alimentares e algumas receitas recomendadas por nutricionistas.

Um suplemento muito bom para essa fase é o Ensure, da Abbott Nutrition. É extremamente fácil de fazer, dilui facilmente na água e não necessita de leite, pois já o contém em sua fórmula. É um alimento fácil de fazer, formulado para fornecer quantidades definidas e adequadas de nutrientes e calorias necessárias para a recuperação e manutenção da saúde. Possui um mix de lipídeos que garantem um produto de baixo teor de gorduras.
 

  

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Comecei uma nova quimioterapia, já fiz a segunda sessão. Não sei ainda quantas serão e ainda estou em processo de adaptação. Mas, estou confiante que vai continuar dando tudo certo.

A saudade da minha irmã Sonia ainda dói muito, penso muito nela e às vezes a sinto ao meu lado.

Sei que ela está feliz! No último sábado 27/out, o Daniel, filho mais velho dela, se casou numa cerimônia linda e emocionante. Não foi como vê-la presente em matéria, mas sentimos que, de certa forma, ela estava lá e tenho certeza que tudo que ela planejou junto com eles, estava ali concretizado.

Eu estou muito feliz, pois sinto que esta etapa da nossa vida se encerrou ali, e podemos prosseguir.

Continuem nos prestigiando com suas visitas e em breve, estaremos postando tópicos novos.

Muito obrigada!

Vanessa e Daniel: felicidadades ao casal!

sábado, 29 de setembro de 2012

O Cuidador de Pacientes com Câncer

1. Introdução 

Atualmente, o câncer é considerado uma doença crônica e absolutamente tratável e que, em muitos casos pode ser curada, principalmente quando diagnosticada precocemente. No entanto, ainda é uma doença bastante estigmatizada, cheia de mistérios e sofrimento. O enfrentamento a esta doença depende de atributos pessoais: saúde e energia, sistema de crenças, metas de vida, auto-estima, autocontrole, conhecimento, capacidade de resolução de problemas e práticas e apoio sociais. Assim, quando se estuda o processo de enfrentamento de uma pessoa ou família é preciso considerar suas características sócio-culturais (PEDROlO; ZAGO;2002). O apoio multidisciplinar no cuidado dessas pessoas há de se levar em consideração o núcleo familiar como unidade cuidadora. 

A constituição familiar não é formada apenas por parentes (pais, filhos, irmãos, primos, etc), mas também por outros que se junta à família com vínculo e laços entre si. A esfera familiar é uma unidade formada por seres humanos ao longo de sua trajetória de vida, cuidando de si próprio e de outros, sendo que as maneiras de cuidar varia de acordo com os padrões culturais e se relacionam com as necessidades de cada individuo ( ALTHOFF,2002). Em um estudo de famílias de pacientes dependentes (idosos) mostra que a escolha do cuidador não costuma ser ao acaso e que a opção pelos cuidados nem sempre é do cuidador, mas, muitas vezes, expressão de um desejo do paciente, ou falta de outra opção, podendo, também, ocorrer de um modo inesperado para um familiar que, ao se sentir responsável, assume este cuidado, mesmo não se reconhecendo como um cuidador (WENNMAN-LARSEN et al., 2002). 

Cuidar do doente de câncer, em especial , na fase avançada da doença é descrita como tarefa que provoca desequilíbrio, sobrecarga física, social e econômica (FLORIANI,2006; WANDERBROOCKE, 2002). Há significativos estudos sobre o comportamento e as necessidades do cuidador no período de adoecimento do paciente com câncer, desde o diagnóstico, passando pelo tratamento inicial, recidivas da doença, retratamento, sucessivas internações, até o encaminhamento para os cuidados paliativos. Essa etapa final, em geral, é árdua e penosa, motivada por esperança de cura, mas também com desilusões, sofrimentos e importante carga de trabalho dispensada ao paciente, vivências que tendem a se intensificar com a evolução da doença (THOMAS,2002). 

2. Câncer, família e cuidador 

O câncer é considerado como um problema de saúde pública no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer INCA (2005), do Ministério da Saúde, ocorrerão 467.440 casos novos de câncer, o numero de pacientes com esta patologia está aumentando em todo o mundo. Anualmente são estimados nove milhões de novos casos, dentre os quais, 53% encontram-se em países em desenvolvimento. Neste contexto, o acometimento de câncer continua a aumentar, devido à urbanização, industrialização a maior expectativa de vida da população, entendendo, que estes fatores também podem contribuir para o aumento de agentes cancerígenos ambientais ou para o aumento mais prolongado da exposição de seres humanos a esses agentes.  

A doença oncológica tem um impacto negativo na vida das pessoas, não só pela sua repercussão social e econômica, mas também pelo sofrimento do paciente e sua família. Sabemos que 80% dos casos de neoplasias são diagnosticadas tardiamente, quando os recursos disponíveis para o tratamento são só paliativos. Esta situação limita a esperança de vida, contribui com a deterioração da auto-imagem e sustenta o estigma de que câncer é uma doença incurável (ZAGO, 2001). 

O câncer é visto como uma condição crônica e está adquirindo uma importância crescente nos problemas relativos ao sistema de saúde. Para minimizá-los as famílias estão cada vez mais sendo solicitadas a desempenharem o papel de prestadora de cuidados (OMS, 2003). Atualmente, o interesse de várias áreas do conhecimento pela discussão sobre a família é crescente. 

Segundo Althoff (2002, p.25) a família é uma unidade social complexa, e a diversidade dos aspectos que a envolve nos faz reconhecer que conhecemos somente parte de sua realidade . Para Elsen (2002, p.12) " A família é um sistema de saúde para os seus membros, sistema este do qual fazem parte um modelo explicativo de saúde-doença, ou seja, um conjunto de valores, crenças, conhecimento e práticas que gera as ações da família na promoção da saúde e de seus membros, na prevenção e no tratamento da doença. Esse sistema inclui ainda um processo de cuidador no qual a família supervisiona o estado de saúde de seus membros, toma decisões quanto aos caminhos que deve seguir nos casos de queixas e ou sinais de mal-estar, acompanha e avalia constantemente a saúde e doença de seus integrantes pedindo auxilio a seus significantes e/ou profissionais.

A função de cuidador da família concretiza-se através de uma missão de proteção e socialização dos indivíduos, pois independente da forma e desenho que a família contemporânea apresenta, ela se constitui nos espaço de iniciação e aprendizado dos afetos e das relações sociais (FELÍCIO,2003). O significado da palavra família tem se modificado ao longo do tempo de forma mais ou menos intensa. Nos tempos passados, a família era vista no contexto da criação dos filhos sendo organizada de acordo com esta atividade principal e a mulher ocupava um papel importante pelas funções de mãe e esposa (CARTER:MCGOLDRICK,1995).

Abordar a família implica examinar o individuo concebendo a individualidade como processo construído socialmente a partir de um contexto heterogêneo; ou a partir da necessidade de reconhecer a existência de processos de coordenação de diferentes subjetividades pessoalmente construídas. Tal processo, ocorrendo primariamente na família, imprime moldes, selos e estilos ao longo do desenvolvimento humano, qualificando resultados e contribuindo diretamente para a qualidade de vida do grupo familiar (BASTOS; TRAD,1998).

Egry e Fonseca (2000) descrevem que a família, como grupo social, pertence a diferentes extratores e classes, respeitadas as suas diferenças culturais e a sua inserção no sistema produtivo.

Nesse sentido, o núcleo familiar e a sociedade em que vivem não são isoladas, mas sim são inseridas num contexto sócio, político, econômico e cultural, sendo esta responsável pela manutenção e sobrevivência de seus membros.

A família brasileira está presente no espaço social e desempenha papeis importantes como a pratica de tolerância, a divisão de responsabilidade, a busca coletiva de estratégias de sobrevivência, o exercício da cidadania, o respeito aos direitos humanos, a garantia da sobrevivência, a proteção aos filhos e demais membros, os aportes afetivos e bem-estar dos seus componentes, além disso, desempenha também sua função na educação formal e informal, nos valores éticos e humanitários contribuindo para o aprofundamento dos laços de solidariedade (FERRARI, KALOUSTIAN, 2002).

Para Marcon, Waidman (2003) a enfermagem vem se preocupando com a família no sentido de assisti-la criando instrumentos próprios e valorizando as pesquisas nas situações concretas vivenciadas pela família em seu cotidiano, compreendendo as suas relações com o meio em que vivem e como elas correm na realidade.

Tomando como base essa preocupação com a família, a atenção deve ser voltada para aquele que será definido como cuidador, que poderá ser alguém com bases técnicas e científicas, definido como cuidador formal, ou alguém que tenha ou não experiência por tentativas de erro e acerto, definido como cuidador informal.

O cuidador também poderá ser classificado de acordo com o cuidado que irá prestar, primário se assumir as responsabilidades diretamente relacionadas aos cuidados mínimos como higiene e alimentação.Secundário aquele que auxiliar em eventuais necessidades do paciente caracterizado como não sendo primordial para a recuperação do paciente.(AZEVEDO,SANTOS, 2006)

Para essas autoras são diversos os motivos que levam a delegação do cuidador, este pode ter grau de parentesco ou afim, ter relação afetiva, estar mais próximo do ambiente em que se encontra o paciente, por falta de outra possibilidade, auto-delegação, entre outras.

Se o cuidador for informal, com grau de parentesco, além da função de cuidar do doente, seu estado emocional poderá ficar mais comprometido, seja pela dor de presenciar o sofrimento do ente querido, seja pelo sentimento de incômodo, de se sentir obrigado, entre outros motivos.(AZEVEDO,SANTOS, 2006)

Atualmente, as publicações têm considerado como cuidadores todos os que dispensam cuidados a terceiros sendo então utilizada uma classificação para as multi qualificações desses indivíduos.

Segundo a classificação de Wanderley existem vários tipos de cuidadores, listados abaixo com suas particularidades, porém a autora ressalta que não são categorias excludentes, mas sim complementares, podendo o cuidador apresentar mais de uma classificação.

- cuidador remunerado: recebe um rendimento pelo exercício da atividade de cuidar; 
- cuidador voluntário: não é remunerado; 
- cuidador principal: tem a responsabilidade permanente da pessoa sob seu cuidado; 
- cuidador secundário: divide, de alguma forma, a responsabilidade do cuidado com um cuidador principal, auxiliando-o, substituindo-o; 
- cuidador leigo: não recebeu qualificação para o exercício profissional da atividade de cuidar; 
- cuidador profissional: possui qualificação específica para o exercício da atividade (enfermeiro, terapeuta, etc.); 
- cuidador familiar: tem algum parentesco com a pessoa cuidada; 
- cuidador terceiro: não possui qualquer grau de parentesco com a pessoa cuidada.

Assim, o cuidador que denominamos formais pode ser entendido nesta classificação como cuidador remunerado, principal, leigo, profissional e terceiro uma vez que nesta classificação sobrepõem-se grau de parentesco, remuneração e formação. Há escassa literatura científica publicada sobre essa questão, no entanto a oferta dos serviços dessas pessoas vêm crescendo visivelmente na imprensa escrita, principalmente nos jornais de grande circulação e em revistas não científicas.

Isto posto, a questão a ser trabalhada recai sobre esses cuidadores informais, qual é o perfil desses cuidadores, suas inquietações e quanto exigem pelo trabalho de cuidador. 

3. A Influência da Doença sobre os Membros da Família

O cotidiano do cuidador abordado na literatura é abundante, os estudos que demonstram a sobrecarga que ele tem com sua estafante e estressora atividade de cuidados diários e ininterruptos. Talvez este seja um dos aspectos mais bem registrados com relação ao cuidador familiar, tanto no campo oncológico, quanto em outros campos dos cuidados em longo prazo. Percebemos que poucos trabalhos têm examinado pacientes e famílias ao mesmo tempo, a maioria tem avaliado a família após a morte, no período de luto. Pouco se conhece sobre o período que antecede a morte do paciente.

A experiência do convívio de pacientes com câncer, cuidados pelos seus familiares, tem demonstrado, por meio de investigação qualitativa, transformações no plano existencial para o cuidador, com resignificação de sua vida e com novas diretrizes, frutos da vivência com os cuidados que realizaram (FLORIANI,2004).

Rezende (2005) investigou 133 cuidadores de pacientes sem possibilidades de cura, avaliando a freqüência de ansiedade e depressão desses cuidadores. Observou-se, entre outros fatores, que 84% referiram mudança na rotina pelo fato de cuidar. A ansiedade foi detectada em 99 % cuidadores principais e a depressão em 71%. O processo de cuidar de paciente na fase terminal levou a altas taxas de ansiedade e depressão.

Proot et al,.2003 analisando os relatos de 13 cuidadores de pacientes em cuidados paliativos terminais, encontraram, como achado nuclear, a "vulnerabilidade" destes cuidadores. Os autores compreendiam por "vulnerabilidade" uma situação que colocava em risco estes cuidadores de adoecerem por fadiga severa, a despeito da coragem e da força demonstrada pelos mesmos. 

Perceberam que esta "vulnerabilidade" era acentuada com a sobrecarga e restrição impostas pelas atividades diárias; como o medo, a solidão, a insegurança, o confronto com a morte e a perda de suporte da família e da equipe de atendimento domiciliar (AD). Perceberam, também, que a esperança, a satisfação com os cuidados oferecidos, as percepções do cuidador com relação a seus limites, além do suporte da família e da equipe de AD, eram fatores que diminuíam suas vulnerabilidades.

 Outro aspecto a ser considerado é aquele relacionado às transformações na organização e na dinâmica da família e o quanto o câncer desestabiliza o paciente e sua família. Após o aparecimento da doença, as relações familiares ficam abaladas. Quanto à estrutura familiar é sólida, a união surge e traz à tona sentimentos de carinho, cuidado, atenção, respeito e amor, que podem estar esquecidos ou pouco demonstrados. Entretanto, essa forma positiva de influência familiar pode não estar presente em todos os casos (HAYASHI, 2006).

A experiência do convívio de pacientes com câncer, cuidados pelos seus familiares, tem demonstrado, por meio de investigação qualitativa, transformações no plano existencial para o cuidador, com resignificação de sua vida e com novas diretrizes, frutos da vivência com os cuidados que realizaram (FLORIANI,2004).

A busca pela competência profissional para oferecer os cuidados, envolvendo a ética, a educação, o auxílio no enfrentamento e o apoio emocional e social ao cuidador e doente é imperioso.

4.Conclusão

O que afeta o cuidador de pacientes com câncer não é só os acontecimentos ou características de seus doentes, e sim suas emoções e comportamentos frente a doença. Lembrando que o câncer por ser tão estigmatizado pode trazer razões culturais para tanto sofrimento, conhecer essas razões possa talvez ajudar os profissionais envolvidos nos cuidados de pacientes oncológico e seus familiares a melhor entender e enfrentar esse importante papel de cuidador. 

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALTHOFF, C. R. Delineamento uma abordagem teórica sobre o processo de conviver em família. In: ELSEN, I.; MARCON, S. S.; SILVA, M. R. S. O viver em família e sua interface com a saúde e a doença. Maringá: EDUEM, 2002. BARDIN, L. Análise de conteúdo. 3. ed. Lisboa: Edições 70, 2006. 

BASTOS, A.C.S.;TRAD,L.A.B.A família enquanto Contexto de Desenvolvimento Humano:implicações para a Investigação em Saúde.Ciência & Saúde Coletiva III (1),1998. 

BRASIL,Ministério da Saúde.Secretaria de Atenção à Saúde.Instituto Nacional do câncer.Coordenação de Prevenção e Vigilância.Estimativa 2005: Incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro:INCA,2004ª. 

CARTER,B;MCGOLDRIC,M.As mudanças no ciclo de vida familiar:uma estrutura para a terapia familiar.2º.ed.;Porto Alegre:Artes Médicas,1995. 

EGRY,E. Y; FONSECA,R.M.G.S. A família, a visita domiciliaria e a enfermagem: revisitando o processo de trabalho da enfermagem em saúde coletiva.Revista Escola Enfermagem USP.v.34,p.233-239.set/200. 

ELSEN,I.Cuidado familiar:uma proposta inicial de sistematização conceitual In: ELSEN,I; MARCON, S.S;SANTOS,M.R. O viver com familiares e suas interface com a saúde e a doença.MARINGÁ: EDUEM,2002. 

FELÍCIO, J.L.As famílias de pacientes com doenças crônicas e graves: funcionamento mais característico.O mundo da saúde. São Paulo,v.27,Jul/Set,2003. 

FERRARI,M;KALOUSTIAN,S.M. Família Brasileira, a base de tudo. 5ºed.São Paulo.Cortez,Brasília,DF/UNICEF,2002. 

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 FLORIANI, C. A.; SCHRAMM, F. R. Cuidador do idoso com câncer avançado: um ator vulnerado. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 22, n. 3, p. 527-534, mar. 2006. 

GALDEANO, L. E.; ROSSI, L. A; ZAGO, M. M. F. Roteiro instrumental para a evolução de um estudo de caso clínico. Revista Latino-Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 11, n. 3, p. 371-375, maio/jun. 2003. 

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PEDROLO, F. T.; ZAGO, M. M. F. O enfrentamento dos familiares à imagem corporal alterada do laringectomizado. Revista Brasileira de Cancerologia, Rio de Janeiro, v. 1, n. 48, p. 49-56, jan./mar. 2002. 

PROOT, I. M. et al. Vulnerability of family caregivers in terminal palliative care at home; balancing between burden and capacity. Scandinavian Journal of Caring Sciences, Sweden, v. 17, n. 2, p. 113-121, 2003. PY, L. Cuidar do cuidador: transbordamento e carência. Revista Brasileira de Cancerologia, Rio de Janeiro, v. 50, n. 4, p. 346-350, out./dez. 2004. 

REZENDE, V. et al. Depressão e ansiedade nos cuidadores de mulheres em fase terminal de câncer de mama e ginecológico. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia - RBGO, Rio de Janeiro, v. 27, n. 12, p. 737-743, dez. 2005. 

RICOUER,P.Teoria da interpretação.Rio de Janeiro:Edições 70,1976. 

SPENCE,R.A.J.Os princípios da Cirurgia do câncer.In:SPENCE,R.A.J.;JOHNTON,P.G. Oncologia.Tradução Claúdia Lúcia c.de Araújo.RJ:Guanabara Koogan 2003;p.77-86. 

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WANDERBROOCKE, A. C. N. S. Perfil do cuidador do paciente idoso com câncer. Psico, Porto Alegre, v. 33, n. 2, p. 401-412, jul./dez. 2002. 

WENNMAN-LARSEN, A.; TISHELMAN, C. Advanced home care for cancer patients at the end of life: a qualitative study of hopes and expectations of family caregivers. Scandinavian Journal of Caring Sciences, Sweden, v. 16, n. 3, p. 240-247, 2002. 

ZAGO, M. M. F. et al. O adoecimento pelo câncer de laringe. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 35, n. 2, p. 108-114, jun. 2001